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Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação científica brasileira : Repositórios institucionais de acesso aberto

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Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação científica brasileira : Repositórios institucionais de acesso abertoAutor: Fernando César Lima Leite

Descripción: O acesso à informação científica tornou-se, em consequência das barreiras existentes, um dos grandes desafios no mundo de hoje. Uma dessas barreiras, o custo crescente da assinatura dos principais periódicos científicos, provocou a chamada crise dos periódicos científicos.

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Para superar essa crise, pesquisadores de diversas partes do globo terrestre se reuniram e deram início a um grande movimento global em direção ao acesso aberto à informação científica.

Com o propósito de disseminar e concretizar a filosofia norteadora do movimento de acesso aberto à informação científica, Stevan Harnad, um dos principais pesquisadores e impulsionadores do movimento, criou duas estratégias de ação: a implantação da via dourada e a implantação da via verde.

Harnad chamou estas estratégias de “via”, uma vez que a adoção desses “caminhos” conduz ao acesso aberto à informação científica.

A via dourada diz respeito à produção e ampla disseminação de periódicos eletrônicos de acesso aberto na rede.

Ao publicarem em periódicos de acesso aberto, os pesquisadores potencializam a comunicação científica, já que esta via possibilita a ampliação do diálogo entre os seus pares.

As barreiras econômicas enfrentadas pelos centros de pesquisa e unidades de informação desaparecem, e é possível estabelecer um fluxo direto de comunicação de novidades que podem vir a representar importantes avanços científicos.

Nesse sentido e como forma de comprovação da adesão global ao movimento de acesso aberto, foram criadas várias ferramentas que permitem a produção de periódicos de acesso aberto.

Estas ferramentas, além de propiciar maior rapidez ao processo editorial, são desenvolvidas em software livre (open source) e, em grande parte, construídas de forma colaborativa, o que propicia a criação de fóruns de desenvolvedores e de usuários.

Cada dia, no Brasil e no mundo, a utilização desse tipo de ferramenta vem crescendo de forma a comprovar que há de fato uma mudança no paradigma da comunicação científica mundial.

A outra “via” idealizada por Harnad é a via verde. Trata-se da criação de repositórios institucionais (RIs) para a organização e disseminação da produção científica das instituições de pesquisa.

Nos RIs tanto é possível o armazenamento e difusão de artigos de periódicos científicos eletrônicos, quanto de outros documentos científicos, tais como teses e dissertações, que são avaliados pelos pares.

A disseminação da implantação de RIs tem levado as instituições de pesquisa a pensar na importância do estabelecimento de políticas de informação institucionais e tem trazido benefícios incontestáveis à gerência da produção científica.

Isto significa que as universidades e centros de pesquisa que aderirem ao movimento construindo os seus RIs estarão promovendo maior acesso à informação científica. As estratégias adotadas para a implantação do acesso aberto provocaram, conforme estudos realizados por Harnad e seus colaboradores, considerável aumento na visibilidade dos trabalhos disponibilizados em RIs de acesso aberto.

Em algumas áreas do conhecimento verificaram-se incrementos superiores a 200% na média de citações. Esses estudos demonstraram não só o aumento na visibilidade, mas também no uso e impacto dos resultados das pesquisas depositados em RIs.

Naturalmente, esses resultados são também transferidos às instituições mantenedoras desses RIs. É importante ressaltar também o saudável ganho de competitividade dessas instituições, o que leva, consequentemente, ao maior e mais rápido avanço da ciência. Segundo Eloy Rodrigues, chefe do Serviço de Documentação da Universidade do Minho, a classificação da Universidade do Minho no ranking das universidades portuguesas, antes da implantação do RepositoriUM (RI da Universidade do Minho), considerando a sua produção científica, estava além do quarto lugar. Hoje, após a implantação do seu RI, ela ocupa o segundo lugar entre as universidades portuguesas. Atribui-se ao RI o aumento da visibilidade da universidade, assim como da sua competitividade com outras universidades portuguesas. Portanto, a implantação do RepositoriUM permitiu à Universidade do Minho maior competitividade com as suas congêneres em Portugal.

Considerando que as grandes universidades, centros de pesquisa e unidades de informação, em todo o globo terrestre, estão criando os seus RIs de acesso aberto e considerando ainda os estudos realizados por Harnad e seus colaboradores, além da experiência da Universidade do Minho e de outras universidades como a Universidade de Southampton, essas universidades agregarão maior poder de competitividade em relação àquelas que ainda não desenvolveram o seu RI. A questão de maior poder de competitividade é apenas um dos resultados que pode ser obtido com a implantação de um RI.

Existem outros resultados importantes que advirão dessa iniciativa, tais como maior transparência no investimento em pesquisa e maior governança na gestão dos recursos gastos com a pesquisa. Do ponto de vista tecnológico, a tarefa de se desenvolver e implantar um RI não é difícil, visto que, tal como ocorre com os periódicos científicos, existem pacotes de software livre que são fáceis de instalar, customizar e manter.

No entanto, o desenvolvimento de um RI não depende apenas de fatores tecnológicos, mas principalmente de fatores relacionados à interoperabilidade humana. Para se desenvolver e manter um RI não basta ter a disponibilidade de tecnologias e um parque computacional, mas principalmente desenvolver mecanismos que estimulem a comunidade institucional a depositar a sua produção científica e, finalmente, mecanismos de gestão do repositório.

Esses fatores são apresentados nesta obra com proposições para disciplinar ou orientar o desenvolvimento e implantação de um RI. Na parte 1, Fernando Leite contextualiza os repositórios institucionais, os benefícios que estes poderão trazer a cada um dos atores de uma comunidade acadêmica. Na parte 2, discute cada um dos passos relativos ao desenvolvimento e implantação de um RI, conforme segue: planejamento, implementação do RI, integração da comunidade.

O autor finaliza discutindo o novo contexto da comunicação científica. Fica claro nesta obra que o processo de desenvolvimento e implantação de um RI é mais do que registrar e disseminar a produção científica institucional.

Esse processo é um mecanismo de gestão e maximização da visibilidade da produção científica de uma instituição. Se todas as instituições de ensino e pesquisa constituírem os seus repositórios institucionais, esse mecanismo se torna uma iniciativa nacional de gestão e ampliação da visibilidade da produção científica brasileira. A implantação, em nível nacional, de repositórios institucionais em todas as instituições de ensino e pesquisa significa aderir ao movimento do acesso aberto à informação científica. E esta adesão é, sem a menor sombra de dúvida, uma das principais formas de impulsionar o desenvolvimento científico nacional e mundial.

Hélio Kuramoto

Doutor em Ciência da Informação e da Comunicação IBICT/MCT

 

 

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